O Tempo

Às vezes um mito, às vezes um Deus, às vezes um aliado, às vezes o maior inimigo. Já tentaram aprisioná-lo em vulgares displays. Há muito se vê esquartejado e reduzido a pedaços diminutos. Seu movimento está imaginado e representado de muitas formas, como por exemplo as mudanças de estações no ano, o dia e a noite, o nascimento e a morte. Também na areia da ampulheta e nos ponteiros do Big Ben. Não é possível saber ao certo se ele passa por nós ou se passamos por ele, se está dentro de nós ou se estamos dentro dele, mas é certo que sofremos do que ele faz com a gente e do que fazemos com ele. Pra nossa sorte os poetas conversam com o Tempo num encontro fugaz de amor, medo e respeito como cabe ao mortal diante do inexplicável. Eis a cena: "Batidas na porta da frente/ É o Tempo/ Eu bebo um pouquinho pra ter/ Argumento/ Mas fico sem jeito calado, ele ri/ Ele zomba do quanto eu chorei/ Porque sabe passar/ E eu não sei/ Num dia azul de verão/ Sinto o vento/ Há folhas no meu coração/ É o tempo/ Recordo um amor que perdi/ Ele ri/ Diz que somos iguais/ Se eu notei/ Pois não sabe ficar/ E eu também não sei/ E gira em volta de mim/ Sussurra que apaga os caminhos/ Que amores terminam no escuro/ Sozinhos/ Respondo que ele aprisiona/ Eu liberto/ Que ele adormece as paixões/ Eu desperto/ E o tempo se rói/ Com inveja de mim/ Me vigia querendo aprender/ Como eu morro de amor/ Pra tentar reviver/ No fundo é uma eterna criança/ Que não soube amadurecer/ Eu posso, ele não vai poder/ Me esquecer"/ *Música - Resposta ao tempo. Compositores - Aldir Blanc e Cristóvão Bastos

12/9/2025

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